Trabalho em Altura x Rapel Esportivo

August 3, 2017

 

Você sabe a diferença entre Rapel Esportivo e Trabalho em Altura ?

 

          Não é de hoje que muitas pessoas vêem o descenso por corda de forma generalizada, e devido ao rapel não ser uma modalidade esportiva, não diferenciam a atividade de outras semelhantes. Pois bem, estamos aqui para esclarecer!

          Nós, da Rio Track Adventure, consideramos que existe toda uma diferenciação entre o Rapel praticado de forma livre e o Rapel com objetivo de trabalho, já que os focos são outros, bem como alguns materiais também são utilizados com fins nem tão próximos. Sendo assim, vamos elencar as DISPARIDADES:

 

FOCO

 

Rapel Esportivo: descenso por corda praticado livre de regras contratuais de trabalho, visando a exploração turística do local, aprendizagem de outras formas de descida e livre prática da atividade. O FOCO SERÁ A DESCIDA.

 

Trabalho em Altura: descenso por corda com objetivo pré-definido por contrato, em que o indivíduo deve executar determinada tarefa em que a corda será seu meio de acesso. O FOCO SERÁ O TRABALHO A SER REALIZADO, e não o deslocamento no Rapel.

 

DINÂMICA

 

Rapel Esportivo: visa a descida, ou seja, o descensor estará na maior parte em movimento. Logo, a atividade é predominantemente DINÂMICA. Como o descensor estará preocupado essencialmente com a descida, a essência da atividade será o deslocamento por corda.

 

Trabalho em Altura: visa a tarefa. Desta forma, o descensor permanecerá em sua maior parte estático. Por isso, podemos considerar a atividade ESTÁTICA. Por ter como objetivo o trabalho a ser realizado suspenso, o deslocamento será somente para acessar o local a ser manutenido, com o trabalhador parado na maior parte do tempo.

 

MATERIAIS

 

Rapel Esportivo: utilizam-se materiais mais simples, e em menor quantidade se comparado ao trabalho em altura, que demandem técnica e conhecimento do praticante. Podem ser utilizados também os materiais do trabalho em altura, como facilitadores (a exemplo, trocar um nó blocante confeccionado com cordelete por um t-Block ou ascensor).

 

Trabalho em altura: materiais que facilitam o trabalho são priorizados, e em sua maior parte são estáticos (a exemplo do grigri, stop, etc.). Devido ao utilizador estar em sua maior parte parado, os materiais priorizados são os que irão manter o descensor seguramente estático. Por estar prestando serviço, a quantidade de material a ser utilizado será bem maior do que em uma descida esportiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Freio 8 Esportivo                                                         Freio Stop Auto-Blocante

 

Para facilitar a compreensão, um exemplo clássico é sistema de freio utilizado: enquanto que para descer no rapel esportivo utiliza-se normalmente o freio 8 (sem ação, o praticante desce, e com ação o freio trava), no trabalho em altura os freios auto-blocantes agem de forma a auxiliar o praticante a permanecer estático sem necessidade de ação (freio stop, a exemplo, sem ação ele trava, e com ação do descensor ele desce). Isso ratifica a tese de que o Rapel Esportivo é essencialmente Dinâmico, e que o Trabalho em Altura é de característica Estática.

 

TEMPO

 

É claro que por ser uma atividade predominantemente dinâmica, o Rapel Esportivo demandará bem menos tempo de descida do que o Trabalho em Altura. Por isso, o tempo disponível possibilita ao praticante por esporte à explorar diferentes estilos de descida e possibilidades com o descenso, enquanto que o trabalhador irá se dedicar exclusivamente à descida alpina ( posição clássica do rapel ) e procedimentos para cumprir seus objetivos.

 

 

Desta forma, podemos compreender que as atividades não podem ser consideradas "iguais", conforme alguns procuram fazer. Por Esporte, o rapel possibilita realizar inúmeras manobras que no Trabalho em Altura não oferece condições, devido ao atrelamento direto ao meio empregatício. É óbvio que ambos realizam descenso por corda, que os materiais envolvidos podem ser utilizados nas duas atividades, que os riscos são os mesmos, PORÉM, A ESSÊNCIA E OS OBJETIVOS SÃO DIFERENTES.

Assim sendo, podemos encerrar com uma frase a ser discutida por um longo tempo:

 

“Quem pratica o Rapel Esportivo não é capacitado para realizar Trabalho em Altura.

E quem realiza Trabalho em Altura, não necessariamente terá o mesmo “KNOW-HOW” de rapel que um praticante de Rapel Esportivo.”

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